TM Odonto na Palma da Mão Guia clínico digital
Dra. Tatiane Marega e a capa do e-book sobre bifosfonatos, denosumabe e osteonecrose dos maxilares
E-book 100% gratuito Receba o PDF grátis após um cadastro rápido.

Bifosfonatos, Denosumabe e Osteonecrose dos Maxilares

Guia rápido para triagem, classificação de risco e decisão odontológica com mais método e segurança.

Dra. Tatiane Marega

Protocolo de bolso

Você não precisa decorar tudo. Precisa seguir um método.

  1. 1 Identifique a medicação
  2. 2 Entenda a indicação
  3. 3 Classifique o risco
  4. 4 Planeje o procedimento
  5. 5 Monitore a cicatrização
  6. 6 Encaminhe quando necessário

Antes de operar, classifique. Antes de classificar, pergunte.

Um risco silencioso

O paciente nem sempre diz: “Uso bifosfonato.”

Muitos pacientes chegam usando medicamentos para osteoporose, metástases ósseas, mieloma múltiplo ou outras doenças osteometabólicas. Frequentemente, dizem apenas “uso um remédio para os ossos” ou “faço uma injeção a cada seis meses”.

Algumas dessas medicações podem estar relacionadas à osteonecrose dos maxilares associada a medicamentos, conhecida como MRONJ. O evento é raro em muitos cenários, mas pode ser grave, difícil de manejar e ter grande impacto funcional, infeccioso e jurídico.

Entendendo o problema

A via, a dose e a indicação mudam o raciocínio clínico

Bifosfonatos orais

Risco geralmente menor, mas não inexistente

Exemplos: alendronato, risedronato e ibandronato.

Uso frequente: osteoporose.

Bifosfonatos endovenosos

Maior cautela em procedimentos invasivos

Exemplos: ácido zoledrônico e pamidronato.

Uso frequente: oncologia, metástases ósseas e mieloma múltiplo.

Denosumabe

A última dose é uma informação obrigatória

Prolia®: uso frequente em osteoporose, geralmente a cada seis meses.

Xgeva®: uso frequente em oncologia e metástases ósseas.

Quando o paciente não sabe o nome

Não classifique o risco com informação incompleta

  • Peça foto da caixa ou da receita
  • Solicite o relatório médico
  • Registre o nome do prescritor
  • Confirme a data da última aplicação

Definição clínica

Osteonecrose dos maxilares relacionada a medicamentos

Em linhas gerais, envolve uso atual ou prévio de antirreabsortivos ou terapias associadas, osso exposto ou sondável por fístula por mais de oito semanas e ausência de radioterapia ou metástase nos maxilares.

Não trate osso exposto persistente como “alveolite comum”.

Riscos evitáveis

Seis erros que fragilizam a decisão clínica

Abra cada item para consultar o raciocínio recomendado.

01 Não perguntar o nome exato da medicação

Por que é perigoso: bifosfonato oral, ácido zoledrônico endovenoso e denosumabe oncológico não têm o mesmo peso de risco.

Como pensar: confirme nome, dose, via, frequência, tempo de uso, indicação e médico prescritor.

02 Tratar osteoporose e oncologia como o mesmo risco

Pacientes oncológicos costumam receber esquemas mais intensos e frequentes. A pergunta não é apenas “usa ou não usa?”, mas por que usa, como usa e há quanto tempo usa.

03 Indicar exodontia sem esgotar alternativas conservadoras

Antes de extrair, avalie endodontia, sepultamento radicular, ajuste protético, controle periodontal, remoção de trauma e manutenção assistida.

04 Acreditar que o CTX “libera” a cirurgia

Marcadores de remodelação óssea não são validados isoladamente para decidir a conduta em MRONJ. Considere indicação, via, tempo de uso, comorbidades, infecção local e extensão cirúrgica.

05 Suspender a medicação sem conversar com o médico

A suspensão é controversa. No denosumabe, a interrupção pode aumentar a reabsorção óssea e o risco de fraturas vertebrais múltiplas. O dentista estratifica o risco e compartilha a decisão com o prescritor.

06 Ignorar próteses mal adaptadas e trauma crônico

Prevenção também significa remover trauma, controlar biofilme, ajustar próteses, manter a mucosa íntegra e monitorar sinais precoces.

Protocolo prático de decisão

Use o TM Sistem

Transforme informações soltas em uma sequência clínica repetível.

T

Triagem estruturada

Procedimento, urgência, medicação, via, indicação, tempo de uso, infecção, comorbidades, histórico de MRONJ e relatório médico.

M

Mapeamento de riscos

Riscos hemorrágico, infeccioso, metabólico, ósseo, cirúrgico, protético e medicamentoso.

SISTEM

Decidir com segurança

Atender, ajustar, adiar, encaminhar ou discutir com o médico conforme o conjunto de riscos.

Fluxograma textual

Seis decisões antes de um procedimento invasivo

  1. 1

    Usa ou já usou antirreabsortivo ou antiangiogênico?

    Se sim, avance na classificação. Se não, siga a triagem sistêmica habitual.

  2. 2

    O procedimento é invasivo?

    Procedimentos não invasivos geralmente podem ser realizados com cuidado. Nos invasivos, classifique o risco.

  3. 3

    A indicação é osteoporose ou oncologia?

    Na osteoporose, o risco costuma ser menor. Em oncologia, a cautela é maior.

  4. 4

    Há infecção ativa ou necessidade de exodontia?

    Controle a infecção, avalie alternativas conservadoras e planeje a intervenção menos traumática.

  5. 5

    Há sinais suspeitos de MRONJ?

    Não conduza como alveolite comum. Encaminhe para estomatologia ou cirurgia bucomaxilofacial.

  6. 6

    A decisão ainda está incerta?

    Adie o procedimento eletivo e complemente os dados. Quando a dúvida é real, adiar pode ser a conduta mais segura.

Checklist clínico

Atendo, aprofundo ou adio?

Sinais verdes

Atender com cuidado

  • Procedimento não invasivo
  • Ausência de infecção ativa
  • Boa higiene e mucosa íntegra
  • Medicação bem identificada
  • Profilaxia, restauração ou ajuste oclusal

Sinais amarelos

Aprofundar a avaliação

  • Uso por mais de dois anos
  • Procedimento invasivo eletivo
  • Prótese traumática ou infecção controlável
  • Diabetes, tabagismo ou corticoide
  • Denosumabe para osteoporose

Sinais vermelhos

Adiar, discutir ou encaminhar

  • Uso oncológico de antirreabsortivos
  • Exodontias múltiplas ou implante planejado
  • Osso exposto ou fístula sondável
  • Dor, secreção, eritema ou parestesia
  • Histórico prévio de MRONJ

Aplicação no consultório

Condutas práticas que organizam o atendimento

01

Anamnese dirigida

Confirme doença de base, nome da medicação, via, duração, última dose, prescritor e histórico de cicatrização ruim ou osso exposto.

02

Condição sistêmica

Verifique pressão arterial, glicemia quando indicada, estado geral e sinais de infecção. O risco ósseo não elimina os demais riscos sistêmicos.

03

Anestésico e vasoconstritor

O uso de bifosfonato ou denosumabe não gera contraindicação automática. Considere cardiopatia, diabetes, doença renal, hepatopatia e outras medicações.

04

Sangramento e prescrição

Avalie anticoagulantes, antiagregantes, plaquetas e função renal e hepática. Evite prescrever no automático em pacientes idosos, oncológicos ou polimedicados.

Quando falar com o médico

Comunicação interprofissional é gestão de risco

  • Uso oncológico ou denosumabe com cirurgia invasiva
  • Ácido zoledrônico, pamidronato ou terapias combinadas
  • Necessidade de ajustar ou suspender medicação
  • Infecção importante, procedimento extenso ou estabilidade clínica incerta

O método protege

Da avaliação ao monitoramento

AvaliarMedicação, doença de base, via, tempo, procedimento e estabilidade.
ClassificarBaixo, moderado ou alto risco.
DecidirAtender, ajustar, adiar, encaminhar ou discutir.
ExecutarCom o menor trauma possível.
MonitorarCicatrização, dor, exposição óssea, fístula, infecção e orientações.
Capa do e-book Bifosfonatos, Denosumabe e Osteonecrose dos Maxilares

Material para consulta

Receba gratuitamente o guia completo

O PDF possui 40 páginas em formato vertical, preparado para leitura e consulta rápida no celular.

Arquivo PDF • 40 páginas • leitura otimizada para celular

Referências bibliográficas
  1. Marega T, Gonçalves AR, Romagnolo FU. Odontologia Especial. 2ª ed. São Paulo: Santos Publicações; 2025.
  2. Ruggiero SL, et al. AAOMS Position Paper on Medication-Related Osteonecrosis of the Jaws - 2022 Update. J Oral Maxillofac Surg. 2022;80(5):920-943.
  3. American Dental Association. Osteoporosis Medications and Medication-Related Osteonecrosis of the Jaw. ADA Oral Health Topics; 2023.
  4. Yarom N, et al. Medication-related osteonecrosis of the jaw: MASCC/ISOO/ASCO clinical practice guideline. J Clin Oncol. 2019;37(25):2270-2290.
  5. Limones A, et al. Medication-related osteonecrosis of the jaws in cancer patients treated with denosumab vs zoledronic acid. Med Oral Patol Oral Cir Bucal. 2020;25(3):e326-e336.
  6. Eguia A, Bagán-Debón L, Cardona F. Review and update on drugs related to osteonecrosis of the jaw. Med Oral Patol Oral Cir Bucal. 2020;25(1):e71-e83.
Receber PDF grátis